segunda-feira, 18 de maio de 2009

Auto-apresentação

Sou o poeta João,
Cheio de sonhos e pesadelos
E medos e coragem.
Tenho os olhos abertos, espertos
Para olhar o céu, o mar, a montanha
E todas as cores que a vida tem.
Tantos me tocam as cores da natureza
Como os olhos das garotas.

Tenho os ouvidos atentos
para a música, os ruídos todos
e a sonoridade dos sorrisos
e dos nomes de mulher.

Com os íntimos ou escrevendo
Sou falante, elétrico como um grilo.
Quando enfrento o desconhecido
Sou caracol encolhido em minha casca-casa.

Sou alegre e sou triste,
Sou poeta em projeto.
Acho que o poeta é um cara-de-pau
Que se joga todo sem redes,
Sem máscaras e sem olhos escuros.
É um ser que bota fogo no gelo
E espera um incêndio amazônico.

Para isso vivo e me preparo
Como só tenho quinze anos,
Estou ainda atiçando chispas.
Se uma chamazinha explodir,
Se um verde minúsculo brotar
Do azul do meu poema,
Se o diálogo quebrar a indiferença,
Valeu.

Elias josé

P.S: Sem querer ser pretencioso, mas quando eu li esse poema não consegui pensar em outra coisa a não ser que esse poema tinha sido pra mim, só com uma diferença: eu tenho 17 anos.

bjs

terça-feira, 12 de maio de 2009

Soneto de fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento.
Antes, e com tal zelo, e sempre, em tanto.
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
Em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angustia de quem vive.
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu possa me dizer do amor que tive
Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Velhos companheiros

Os olhos Vermelhos se abriram
Eles me levam
Deixo-me levar

Para viver
Ou morrer,
Ou para quem sabe
Viver um não viver

Não importa
Não faz diferença
Eu não sinto medo
Eu não sinto dor
Eu não amo
E nem odeio

No final, o resto
Os prazeres fúteis
A paciência o impaciente
A maldita neutralidade
Desse estado latente

Talvez daqui um dia
Ou uma eternidade
Quando essa guerra terminar
E sobrar apenas eu,
Eu possa ver o sol nascer
E sorrir

Os olhos vermelhos voltaram,
Mas eles nunca se foram

terça-feira, 21 de abril de 2009

Hein?

Escrevemos o que sentimos, escrevemos a mais pura verdade mesmo que tenhamos fingido sentir para escrever foi verdade nem que tenha sido apenas por alguns instantes, porque quando inventamos e escrevemos parte daquilo se torna real, mas ai eu pergunto:
— O que escrever quando não sentimos nada?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Uma saída

Esse mundo insano me rodeia
Essa multidão ameaça me engolir
Tentado pelas pessoas
Pessoas sem rumo
Pessoas sem rosto

Preciso fugir daqui
O medo começar a se revelar
A fraqueza começa a ceder
Minhas asas negras me envolvem,
Transportam-me para o meu mundo

Obscuro
Vazio

E aqui solitário
Perdido em pensamentos
Só ouço a ecos
Só vejo névoa

Vejo a Carne competir com o Coração
Para ver que fala mais alto
Enquanto minha mente sussurra
― O que você busca?

Não sei
Só quero uma saída
Desse mundo sem sentido

Uma saída rápida
Apenas um cortar de lâmina e...
O pulso sangra
O coração para
O corpo morre
A mente se liberta

― E depois?

Não sei,
mas não vou descobrir.


Vou me manter vivo
― Por quê?
Simplesmente, porque
Por enquanto,
Ainda me é conveniente
Mas só por enquanto

quarta-feira, 25 de março de 2009

Asas

Queria ter asas.
Asas grandes e negras
Para que nas tempestades
Pudesse tocar os trovões
Cortar o azul do céu
Nadar por entre os furacões

Talvez assim você me visse
E com os olhos baixos murmurasse
— ora, é apenas Um anjo caído
Apenas um anjo...
... Com o coração partido

Agora tenho asas
Estou voando,
Fujo desse mundo miserável
sem sair do lugar
ouvindo nossa musica ecoar em minha mente

O coração ainda dói
está sangrando
Com os fragmentos que você deixou
Apenas sombras da imensidão
Daquilo que um dia eu senti

O coração ainda dói
está sangrando,
mas as lágrimas não saem
secaram

domingo, 8 de março de 2009

O começo do fim

Queria saber o que aconteceu
para onde foram todos os sorrisos e sentimentos?
como a chama
que aos poucos se apaga
trazendo a escuridão

Não posso impedir
posso apenas me lembrar
das palavras usadas como desculpas
para pegar em suas mãos
de sentir seus olhos
e ver o paraíso

Arrependo-me
da minha inanição
da minha omissão,
mas orgulho-me
de desejá-la
de amá-la
E nunca me arrependerei disso

Meus olhos vermelhos possuídos
derramam uma lágrima de sangue
as margens de um novo fim,
mas o Dragão Negro sorri
ao sentir um novo renascer

Pois ele sabe que somos assim
vivemos de paixão em paixão
Sabe que logo logo
haverá outro paraíso
outro sorriso

E assim será por toda a eternidade
Vagando pelo infinito dos olhos vazios
Buscando alguém
Que lhes devolva o brilho e a paz
Para que no fim me sinta completo

A chama está no fim
A escuridão se aproxima
Meus olhos vermelhos se destacam
A tristeza escorre por eles
As lágrimas viram rio,

Mas a chama ainda arde, brilha,
E me dá forças para um último pedido

A chama ainda está acessa
Não deixe que se apague